Introdução
É sabido que a influência dos aparelhos eletrônicos e o avanço da tecnologia na atualidade se estendem desde as diversas demandas de trabalho, ao entretenimento, além da organização pessoal e meio de comunicação e interação. As crianças das novas gerações crescem familiarizadas com as tecnologias, como: os computadores, Internet, os videogames, os tablets e os celulares, usando-as para brincar, aprender e comunicar. A linguagem digital faz parte das vidas destes “nativos digitais”, podendo até alterar os seus padrões de pensamento e a forma como aprendem (PRENSKY, 2001).
O uso de smartphones, tablets, televisores e computadores, a exposição às telas no geral, estão sendo implementados no dia a dia das crianças como ferramenta de entretenimento e diversão, em seus diversos contextos, por exemplo: ferramentas dentro contexto educacional durante o processo de aprendizagem e lazer (Youtube, jogos online e redes sociais). Entretanto, a longa exposição ao tempo de tela, sem controle e sua devida atenção pela lente de pais e cuidadores, podem causar impactos significativos no desenvolvimento cognitivo, comportamental, socioemocional e linguagem na infância. A exposição a conteúdos rápidos e fragmentados, típicos das plataformas digitais, podem comprometer o desenvolvimento da atenção sustentada, essencial para a aprendizagem escolar, e para a realização de tarefas que exigem concentração prolongada, tempo permanência em demandas, leitura, atividades pedagógicas que trabalham o raciocínio lógico, estimulação e flexibilidade cognitiva (trabalhando a sequência, seguimento de instruções de tarefas dentro de rotinas estruturadas e estabelecidas por cuidadores e entre outros), além das habilidades de convivência social e interação, principalmente, na criação e estabelecimento de laços socioafetivos com colegas, amigos e/ou figuras de autoridade. (GAÍVA et al., 2018).
“Era digital” e o Uso das telas no Desenvolvimento Infantil
Na chamada “Era Digital”, é quase impossível evitar o contato com dispositivos eletrônicos: muitos deles oferecem conteúdos educativos, interativos e até mesmo mecanismos para estimular o aprendizado. Por outro lado, o uso excessivo ou desregulado das telas na infância tem levantado e apresentado preocupações entre os especialistas da saúde, do desenvolvimento infantil e da educação. Os impactos vão desde prejuízos ao sono e à atenção, até dificuldades no convívio social e atrasos no desenvolvimento cognitivo e emocional (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2019). Não se trata de proibir completamente o uso de telas, mas sim de regular e qualificar esse uso. É possível otimizar o tempo digital das crianças de forma saudável, sem abrir mão dos benefícios da tecnologia e respeitando o desenvolvimento natural de cada faixa etária.
O que dizem os especialistas?
- Organização Mundial da Saúde (OMS)
A OMS recomenda que crianças menores de 1 ano não sejam expostas a telas e que, até os 5 anos, o tempo seja limitado a no máximo 1 hora por dia. A prioridade deve ser dada à atividade física, à interação com adultos e a um sono de qualidade. - American Academy of Pediatrics (AAP)
Para crianças de 2 a 5 anos, a AAP também orienta que o tempo de tela não ultrapasse uma hora diária, com conteúdo educativo e assistido por um adulto. A partir dos 6 anos, o foco deve ser em limites consistentes, garantindo que o tempo digital não atrapalhe o sono, as atividades físicas e o convívio familiar.
A seguir, reunimos orientações práticas, baseadas em evidências científicas, para ajudar pais, mães e cuidadores a criarem rotinas digitais equilibradas e seguras.
Dicas práticas e essenciais para conciliar atividades fora das telas para as crianças e otimizar o tempo de uso:
1. Estabeleça limites claros de tempo
Use regras como: no máximo 1 hora por dia para crianças de 2 a 5 anos (recomendado pela OMS).
Para crianças maiores, combine o tempo de tela com outras atividades (brincadeiras, estudo, sono, etc.).
2. Crie uma rotina com horários definidos
Separe horários específicos para usar telas: por exemplo, só depois da lição de casa ou das atividades físicas.
Evite telas durante as refeições e antes de dormir (ideal: 1h antes de dormir, sem telas).
3. Priorize conteúdo educativo e de qualidade
Prefira apps e vídeos que incentivam a criatividade, alfabetização ou resolução de problemas.
Plataformas como YouTube Kids, Netflix Kids e aplicativos educativos (Khan Academy Kids, Play Kids, etc.) são boas opções.
4. Acompanhe e participe do uso
Sempre que possível, assista e jogue junto com a criança para conversar sobre o que ela está vendo.
Faça perguntas, incentive o pensamento crítico e complemente com atividades fora da tela.
5. Equilibre com atividades offline
Incentive brincadeiras ao ar livre, leitura, artes, esportes e/ou jogos de tabuleiro.
Crie “zonas livres de tela” em casa (ex: quarto, mesa de jantar).
6. Use controles parentais
Configure o controle dos dispositivos para limitar o tempo de uso e restringir conteúdos inadequados.
Ferramentas úteis: Google Family Link, Apple Tempo de Uso, Amazon Kids +, etc.
7. Dê o exemplo às crianças
As crianças imitam os adultos: mostre um uso saudável de telas, nada de ficar no celular o tempo todo perto dela, isso pode ajudar e dar um modelo de comportamento adequado e significativo.
Referências
AMERICAN ACADEMY OF CHILD AND ADOLESCENT PSYCHIATRY. (2019). Children and watching TV – Facts for families. Washington, DC: AACAP.
AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. (2023). Screen time guidelines. Itasca, IL: AAP.
GAÍVA ET AL., . (2018). Avaliação do crescimento e desenvolvimento infantil na consulta de enfermagem.
LIMA ET AL., . (2024). Impacto do tempo de tela no desenvolvimento cognitivo e comportamental de crianças pré-escolar.
MAYO CLINIC. (2023). Screen time and children. Rochester, MN: Mayo Clinic.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). (2019). To grow up healthy, children need to sit less and play more.
PRENSKY. (2001). Tecnologias digitais e ações de aprendizagem dos nativos
digitais.










