11. Compreendendo o TDAH

Introdução

Compreendendo o TDAH

O diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido frequente em crianças em idade escolar e requer atenção para  as  consequências acarretadas  no  desenvolvimento  infantil.  Trata-se  de um transtorno diagnosticado mundialmente em larga escala e repetidamente medicado, mesmo sem uma definição consistente no meio científico acerca de sua etiologia  (Lao et al., 2018). O TDAH é considerado um transtorno em função dos diversos prejuízos que acarreta em diferentes aspectos e contextos de vida: Tais prejuízos já validados pela literatura através de inúmeros estudos (Dallos et al., 2011; Folquitto, 2013; Johnston et al., 2001; Rohde et al., 2004) revelam um transtorno com critérios diagnósticos específicos composto de vários sinais e sintomas, havendo necessidade de distingui-lo da existência isolada de sintomas de desatenção e agitação.

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) é um transtorno neurobiológico que se manifesta por desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade, com impacto no funcionamento pessoal, social e acadêmico. Os sintomas podem surgir na infância e persistir na vida adulta, e o diagnóstico é clínico, avaliado por um profissional da saúde com base em questionários e observação. O tratamento envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia, orientação aos pais/professores e estratégias educacionais para gerenciar os sintomas (Conselho Editorial Einstein, 2025). 

Diagnóstico, sinais e sintomas

Em relação à fenomenologia descritiva, o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM 5 (American Psychiatric Association, 2014) estabelece três formas de apresentação para o TDAH definidas de acordo com os sintomas apresentados pela criança: 

  1.  Predominantemente desatenta
  2.  Predominantemente hiperativa-impulsiva
  3.  Combinada

 Os sintomas de desatenção estão mais relacionados a situações como perder objetos, cometer erros ou descuidos escolares, não conseguir persistir em tarefas que envolvam um grande esforço mental continuado ou terminá-las. Já os sintomas de hiperatividade manifestam-se na tendência a estar sempre em  movimento,  na  agitação  ao  falar,  na  demonstração  de  impulsividade, entre outros. Para configurar a apresentação combinada de TDAH, o indivíduo deve preencher 6 critérios para a apresentação desatenta e 6 para hiperativa-impulsiva (American Psychiatric Association, 2014).

Além  dos  sintomas  de  desatenção  e  hiperatividade-impulsividade, característicos do transtorno em questão, a maioria das crianças com TDAH apresenta também sintomas como baixa autoestima e dificuldades de socialização. Assim, os infantes podem vivenciar rejeição no nível de interações sociais, devido ao fato de não se adequarem aos ideais esperados entre seus pares de mesma faixa etária. Frequentemente  algumas  características  do  comportamento  da criança com TDAH, como a desatenção ou a agitação, provocam uma reação negativa por parte dos pares nos aspectos afetivo e social. Em situações de coletividade,  as  crianças  podem  reagir  com  mais  desatenção  e impulsividade, enquanto que individualmente, com um dos cuidadores, pai, mãe, avós ou professores, apresentam geralmente mais facilidade em se concentrar e responder às demandas, sobretudo quando há adequada condução da situação (Barkley, 2002).

Importância da Avaliação profissional

A busca por ajuda profissional é essencial no caso do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), pois permite uma avaliação clínica precisa e individualizada, conduzida por especialistas como médicos, psicólogos e educadores. Esse processo garante um diagnóstico correto e diferenciado, evitando confusões com outros transtornos que apresentam sintomas semelhantes. O acompanhamento profissional possibilita a criação de estratégias de intervenção personalizadas, que envolvem orientação familiar, suporte psicopedagógico e, quando necessário, tratamento medicamentoso. De acordo com o Conselho Editorial Einstein (2025), o diagnóstico adequado e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para promover o desenvolvimento saudável, reduzir o impacto do transtorno no desempenho escolar e nas relações sociais, além de fortalecer a autoestima do indivíduo. Sem essa orientação, há o risco de a criança ser injustamente rotulada como desatenta, preguiçosa ou indisciplinada, o que pode intensificar a frustração e comprometer seu bem-estar emocional.

Estratégias de Intervenção

As estratégias de intervenção no TDAH devem ser multidimensionais e ajustadas às necessidades específicas de cada indivíduo. O tratamento envolve, geralmente, a combinação de acompanhamento médico, terapia comportamental e intervenções psicopedagógicas, com o objetivo de desenvolver habilidades de autorregulação, concentração e organização. No ambiente escolar, é fundamental adotar práticas que favoreçam a atenção e o engajamento, como o uso de instruções curtas, reforço positivo e pausas planejadas. Além disso, o trabalho conjunto entre escola, família e profissionais de saúde potencializa os resultados, garantindo que as estratégias sejam aplicadas de maneira consistente em diferentes contextos.

Intervenções educacionais

As intervenções educacionais devem considerar as particularidades de cada estudante. A adaptação das metodologias de ensino, o uso de instruções curtas, o reforço positivo e as atividades dinâmicas contribuem para o aumento da atenção e da motivação. A comunicação constante entre a escola e a família favorece o acompanhamento do progresso e a continuidade das estratégias de aprendizagem.

Apoio familiar

O apoio familiar desempenha um papel central no processo de desenvolvimento, pois o envolvimento dos familiares nas rotinas diárias e nas orientações profissionais promove um ambiente estruturado, previsível e acolhedor. A compreensão e a paciência são atitudes fundamentais para estimular a criança ou adolescente com TDAH. Quando a família se envolve ativamente no acompanhamento e participa das orientações dos profissionais, há maior consistência entre as intervenções realizadas em casa e na escola, o que potencializa os resultados.

Inclusão

A valorização da diversidade e o respeito ao ritmo de aprendizagem contribuem para uma educação mais equitativa e humanizada. Práticas pedagógicas inclusivas e sociais, que consideram as diferenças individuais, permitem que cada criança desenvolva suas habilidades e potencialidades de forma plena.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é determinante para minimizar prejuízos acadêmicos, sociais e emocionais. Identificar os sintomas ainda na infância possibilita a adoção de estratégias eficazes e o encaminhamento a profissionais especializados, promovendo um acompanhamento contínuo e preventivo.

Acesso a recursos e serviços

O acesso a recursos e serviços especializados amplia as oportunidades de cuidado e acompanhamento. A atuação conjunta de psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos e médicos garante uma abordagem integral, contemplando aspectos cognitivos, comportamentais e emocionais. Além disso, a ampliação das políticas públicas voltadas à saúde mental infantil é essencial para democratizar o atendimento e reduzir desigualdades.

Papel da escola e educadores

O papel da escola e dos educadores é decisivo na identificação de sinais, na elaboração de estratégias pedagógicas e na promoção de um ambiente inclusivo. A formação continuada dos professores sobre o TDAH contribui para práticas mais empáticas e eficazes, que valorizam as capacidades dos alunos em vez de seus desafios. A escola deve atuar em parceria com as famílias e os profissionais de saúde, formando uma rede de apoio sólida.

Sensibilização e conscientização

A sensibilização e conscientização social sobre o TDAH são igualmente importantes. Promover campanhas informativas e espaços de diálogo ajuda a reduzir o estigma, favorecendo a compreensão e o respeito. Quando a comunidade escolar e familiar se torna consciente das reais características do transtorno, cria-se um ambiente mais acolhedor e menos discriminatório.

Suporte comunitário

O suporte comunitário tem papel fundamental na construção de uma rede colaborativa. Grupos de apoio, projetos sociais e ações coletivas fortalecem o senso de pertencimento e oferecem trocas de experiências entre famílias e profissionais. Essa união de esforços entre comunidade, escola e profissionais de saúde é o que possibilita a verdadeira inclusão e o desenvolvimento integral das pessoas com TDAH.

Conclusão 

Afinal, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) requer uma abordagem integrada, que envolva diagnóstico precoce, acompanhamento profissional e estratégias consistentes de intervenção. A efetividade do tratamento depende da articulação entre família, escola, profissionais de saúde e comunidade, garantindo suporte contínuo e inclusão social. Quando cada esfera cumpre seu papel, oferecendo acolhimento, orientação e oportunidades de desenvolvimento, é possível minimizar os impactos do transtorno e promover o bem-estar e o sucesso escolar dos indivíduos afetados. Assim, a conscientização e o investimento em políticas educacionais e de saúde mental tornam-se fundamentais para assegurar que crianças e adolescentes com TDAH tenham acesso a uma vida plena, produtiva e integrada à sociedade.

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BARKLEY, R. A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: guia completo para pais, professores e profissionais. Porto Alegre: Artmed, 2002.

DALLOS, R.; et al. Researching Psychotherapy and Counselling. 2. ed. Maidenhead: Open University Press, 2011.

EINSTEIN. Conselho Editorial. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: sintomas, causas e tratamentos. São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein, 2025.

FOLQUITTO, J. A. TDAH: aspectos clínicos e psicossociais. São Paulo: Vetor, 2013.

JOHNSTON, C.; et al. Parenting and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Implications for Research and Practice. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 69, n. 5, p. 739–751, 2001.

LAO, R.; et al. Attention Deficit Hyperactivity Disorder and Neurodevelopmental Correlates: A Review. Neuropsychiatry, v. 8, n. 3, p. 102–113, 2018.

ROHDE, L. A.; et al. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 26, supl. 2, p. 7–11, 2004.

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