12. Compreendendo o TOD

Introdução

Compreendendo o TOD

O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é comum em crianças em idade escolar. Caracteriza-se por um padrão de comportamentos desafiadores, negativos e hostis e ausência de respeito às regras, ao não entrosamento com colegas de turma, a casos de violência e desrespeito à figura do adulto que representa autoridade, ou os pais, professores ou outra pessoa qualquer. A identificação do TOD não é fácil, visto que o indivíduo tende a não desafiar pessoas desconhecidas, que venham examiná-lo. Ele é inteligente e perspicaz e não quer receber um rótulo, que sabe que virá depois do diagnóstico médico.  (Revista Philologus, 2018). O desconhecimento sobre o TOD por parte das famílias e dos profissionais da educação pode fazer com que o indivíduo seja visto como não tendo limites, como uma pessoa hiperativa, desobediente, irritante, etc. Contudo, ao se conhecer e adequadamente se tratar, o TOD poderá ter seus efeitos reduzidos e fazer com que o indivíduo – criança ou adolescente, leve uma vida mais controlada, com melhor qualidade, mais feliz e sentindo-se em igualdade com os demais colegas de turma.

O que é o Transtorno Opositor Desafiador 

O Transtorno Opositor Desafiador (TOD) é um Transtorno de Conduta que ocorre na infância e adolescência e provoca sintomas como comportamentos desafiadores e impulsivos, dificuldade de lidar com frustrações, teimosia, entre outros. Ele geralmente se manifesta antes dos 8 anos de idade, na idade escolar, mas também pode ser diagnosticado em crianças mais velhas ou adolescentes. Durante o desenvolvimento, é normal observar certos comportamentos desafiadores nas crianças, como “birras”, por exemplo (Portal Drauzio Varella, 2023). Todavia, é de extrema importância manter atenção aos possíveis sinais e os fatores que indicam, de fato, que a criança pode ter um transtorno de conduta, como o TOD. 

Diagnóstico, sinais e sintomas

Segundo o DSM – IV, a característica essencial do TOD é um padrão recorrente de comportamento negativista, desafiador, desobediente e hostil para com figuras de autoridade, padrão este que persiste por pelo menos seis meses e se caracteriza pela ocorrência de pelo menos quatro dos seguintes comportamentos: 

  • Perder a paciência
  • Discutir com adultos
  • Desafiar ativamente ou recusar-se a obedecer a solicitações/ regras dos adultos
  • Deliberadamente fazer coisas que aborrecem outras pessoas
  •  Responsabilizar outras pessoas por seus próprios erros ou mau comportamento
  • Ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros
  • Mostrar-se enraivecido e ressentido ou ser rancoroso e vingativo

 

As causas do transtorno opositor e desafiador opositivo são complexas e multifatoriais. Os estudos científicos evidenciam que múltiplos fatores de risco estão relacionados ao surgimento do transtorno. Esses fatores são eventos, características ou processos que aumentam as chances do desencadeamento do problema comportamental, e seu desenvolvimento está provavelmente relacionado com uma quantidade de fatores de risco presentes na criança. Todos esses possíveis fatores estão relacionados com questões sociais, psicológicas e biológicas, sendo suas interações responsáveis pelo surgimento, desenvolvimento e curso clínico da condição. É importante salientar a necessidade de se fazer um diagnóstico através de um profissional competente que possa fazer o laudo médico. O transtorno se apresenta em casa, na escola e em lugares públicos, revelando várias e diferentes teorias que justifiquem seu surgimento. (Teixeira, 2014, p. 29).

Importância da Avaliação profissional

O diagnóstico do TOD é realizado por profissionais como : neurologista infantil, psiquiatra ou psicólogo clínico, a partir de uma avaliação abrangente da criança. Durante a investigação, pode envolver entrevistas com a própria criança, seus pais e professores, além da observação de seu comportamento em diferentes contextos. O profissional também pode recorrer a testes psicológicos e comportamentais para compreender melhor o funcionamento global da criança.

“Para identificar o TOD, observamos a presença de sinais característicos, como atitudes desafiadoras diante de figuras de autoridade, comportamentos de oposição persistentes e recorrentes, ações vingativas e irritabilidade constante. Esses comportamentos precisam se manter por um período mínimo de seis meses e interferir de forma significativa na vida da criança, seja em casa, na escola ou em outros ambientes”, explica a especialista Letícia Sampaio, neurologista infantil e membro da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (Portal Drauzio Varella, 2023). 

Estratégias de Intervenção

As estratégias de intervenção para o TOD devem ser individualizadas e integradas, envolvendo acompanhamento psicológico, orientação aos pais e práticas educativas. Técnicas baseadas em reforço positivo, treinamento de habilidades sociais e manejo de comportamentos, utilizadas em Psicoterapia, são eficazes para reduzir crises e promover autorregulação. É importante que os adultos mantenham consistência nas regras e expectativas, oferecendo estrutura e previsibilidade em orientações parentais.

Intervenções Educacionais

Na escola, o manejo do TOD também devem incluir adaptações pedagógicas e apoio emocional, como : uso de rotinas claras, reforço positivo e estratégias de resolução de conflitos, ajudando a promover a cooperação e o engajamento da criança. Professores precisam compreender que o comportamento desafiador é uma manifestação do transtorno, e não apenas uma questão de indisciplina, adotando práticas inclusivas e acolhedoras.

Apoio Familiar

O envolvimento da família é essencial para o sucesso do tratamento: os pais devem receber orientação sobre como reagir aos comportamentos desafiadores, aprendendo a estabelecer limites de forma firme e afetiva, sem recorrer a punições severas. O acompanhamento psicológico familiar pode ajudar na comunicação e no fortalecimento do vínculo entre cuidadores e criança.

Inclusão

A inclusão de crianças com TOD no ambiente escolar e social é fundamental para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A convivência com os pares, aliada ao apoio de profissionais capacitados, favorece o aprendizado de regras e o respeito mútuo. É necessário combater o estigma e garantir que essas crianças tenham as mesmas oportunidades de participação e aprendizado.

Diagnóstico Precoce

Identificar o TOD precocemente é fundamental para minimizar os prejuízos no comportamento e na aprendizagem. O diagnóstico precoce permite que intervenções adequadas sejam iniciadas antes que o quadro se “agrave”. Observações cuidadosas de professores e familiares, juntamente da avaliação profissional, são fundamentais nesse processo.

Acesso a Recursos e Serviços

Garantir o acesso a recursos terapêuticos e educacionais é essencial para o tratamento do TOD. Isso inclui acompanhamento psicológico, psicopedagógico e, quando necessário, apoio psiquiátrico. Políticas públicas que ampliem o acesso a serviços de saúde mental e formação de profissionais são essenciais para o cuidado integral dessas crianças.

Papel da Escola e Educadores

A escola e os educadores desempenham um papel central no manejo do TOD, sendo mediadores importantes entre a criança, a família e os profissionais de saúde. A escuta ativa e a criação de um ambiente seguro e estruturado favorecem a inclusão e reduzem os comportamentos desafiadores, além da capacitação de professores para lidar com essas situações é uma medida indispensável.

Sensibilização e Conscientização

Promover campanhas de sensibilização e conscientização sobre o TOD é fundamental para reduzir o preconceito e ampliar o entendimento da comunidade sobre o transtorno. Quando há informação e empatia, aumenta-se a colaboração entre escola, família e sociedade, o que contribui para uma rede de apoio mais eficiente.

Suporte Comunitário

O suporte comunitário fortalece o processo de inclusão e acolhimento de crianças com TOD e suas famílias. Espaços de convivência, grupos de apoio e ações sociais podem oferecer suporte emocional e compartilhar estratégias de manejo. Uma comunidade informada e acolhedora contribui diretamente para o bem-estar e o desenvolvimento saudável dessas crianças.

Conclusão 

Lidar com o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é um processo que envolve família, escola, profissionais da saúde e comunidade. A intervenção precoce, o acesso a recursos adequados e o compromisso coletivo com a inclusão são fatores fundamentais para promover o desenvolvimento saudável da criança. Quando o diagnóstico é realizado de forma cuidadosa e acompanhado por estratégias consistentes, é possível reduzir os impactos do transtorno e favorecer o fortalecimento emocional, social e acadêmico. A conscientização sobre o TOD contribui para uma sociedade mais empática, preparada para acolher as diferenças e apoiar o crescimento de cada criança em seu próprio ritmo.

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR.5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.

PORTAL DRAUZIO VARELLA. Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). São Paulo, 2023.

REVISTA PHILOLOGUS. O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e a Educação Escolar. Rio de Janeiro: CiFEFiL, n. 72, ano 24, 2018.

TEIXEIRA, Maria da Conceição. Transtornos de Conduta na Infância e Adolescência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2014. 



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